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Setembro Amarelo: Quando a vida volta a ganhar cor: a história de João Postal

Aos 19 anos, João Postal olha para a própria história com orgulho. O jovem que hoje trabalha, estuda, namora, convive com amigos e segue construindo seus planos para o futuro também carrega consigo uma experiência difícil, vivida ainda muito jovem, durante um dos períodos mais delicados da história recente: a pandemia da Covid-19.

João define aqueles anos como “o seu momento mais obscuro”. O isolamento social, a falta de convivência, o excesso de tempo diante das telas e a ausência de uma rotina contribuíram para um agravamento significativo de seu estado emocional. Para ele, tudo parecia assumir uma única tonalidade.

“Era como se todo dia passasse um atrás do outro repetidamente. Não havia motivação para comer, para sair, para socializar. Era somente eu e eu. Não doía, mas era exaustivo”, relembra.

Foi durante esse período que João enfrentou uma profunda crise emocional e chegou a tentar tirar a própria vida. Hoje, ao falar sobre aquela fase, ele prefere olhar para trás não apenas como um período de dor, mas como uma etapa de sua trajetória.

“Tudo o que eu passei foram etapas. Etapas difíceis? Sim, mas etapas. Eu tenho muitas mais etapas a serem superadas, mas nada que um pouco de suor não resolva”, afirma.

Um dos principais pilares durante aquele momento foi sua tia, que teve papel fundamental ao oferecer apoio e conhecimento sobre os cuidados com a saúde mental. Para João, ter alguém que soubesse ouvir e estar presente fez diferença em um período marcado pelo isolamento.

Falar sobre os próprios sentimentos, porém, nunca foi fácil. João conta que sempre foi uma pessoa mais reservada e acostumada a lidar sozinho com suas dificuldades. Hoje, reconhece que esse isolamento pode tornar ainda mais pesada a experiência de quem está sofrendo.

“É muito doloroso guardar tudo para si, mas quando essa é a sua situação, você tende a achar que é o único caminho”, explica.

A retomada da convivência presencial, com o fim do período mais intenso da pandemia, também foi fundamental em seu processo de recuperação. O contato humano voltou a fazer parte da rotina e, junto dele, vieram amigos que se tornaram importantes pontos de apoio.

“Alguns amigos me apoiavam muito e são amigos até hoje, quase como uma segunda família. Foi muito bom o acolhimento que eu tive”, conta.

Hoje, João reconhece que continua sendo a mesma pessoa, mas não é mais o mesmo jovem daquela época. As experiências vividas contribuíram para sua formação, mas também fizeram com que ele enxergasse a vida de outra maneira.

“Apesar de sermos a mesma pessoa, muitas das decisões que tomei naquela época já não refletem quem eu sou hoje. Reconheço que tudo o que vivi e todas as escolhas que fiz foram importantes para a minha formação e, de certa forma, contribuíram para que eu chegasse até aqui. Mas, ao mesmo tempo, sinto que não somos mais a mesma pessoa.”

A experiência também mudou a maneira como João olha para as pessoas ao seu redor. Quando percebe alguém mais quieto ou afastado em uma roda de amigos, procura se aproximar, conversar e ajudar a tornar aquele momento mais leve.

“O silêncio de uma pessoa isolada pode ser destruidor para ela. Sempre tento aliviar o clima quando vejo algo assim”, afirma.

Para João, uma das principais dificuldades enfrentadas pelas novas gerações é a ideia de que demonstrar fragilidade significa ser fraco. Ele acredita justamente no contrário: reconhecer a própria vulnerabilidade é parte da condição humana.

“Não temos culpa em sermos fracos, não temos culpa quando choramos. Demonstrar nunca será um problema e você deve buscar ajuda”, aconselha.

A mensagem também se estende a familiares e amigos. João reforça que mudanças de comportamento não devem ser simplesmente classificadas como frescura ou melancolia passageira.

“Não achem que é uma simples melancolia, não achem que é frescura. Não desdenhem do seu filho ou do seu amigo dessa forma. Ele precisa ser compreendido, ajudado e precisa de vocês.”

Hoje, o jovem que enfrentou aquele período olha para a vida que está construindo e encontra novas razões para seguir. O trabalho, os estudos, o relacionamento, os amigos e os pequenos momentos do cotidiano fazem parte de uma nova etapa.

Quando imagina o que diria ao João daquela época, ele não fala apenas sobre o passado. Fala sobre futuro.

“Eu perguntaria sobre nossos hobbies bobos, alguns deles continuam até hoje. Em seguida, gostaria de saber como ele está se sentindo. Por fim, diria que tudo isso o que ele está passando vai mudar. Não vai ser fácil. A mente dele vai tentar convencer que esse sentimento é eterno, mas ele não deve desistir, nunca. Um dia tudo valerá a pena e, quando menos perceber, vai estar no auge da vida dele.”

A história de João Postal não é apresentada como uma história encerrada, mas como uma caminhada que continua sendo construída todos os dias. Ele sabe que ainda existem desafios pela frente, mas aprendeu que pedir ajuda, permitir-se ser vulnerável e aceitar o apoio das pessoas também fazem parte do caminho.

“A dor nunca será eterna. Nunca foi fácil sair de um momento como esse, mas você só sairá se realmente quiser. Eu tinha que fazer aquilo por mim, eu precisava melhorar, e só assim você começa a notar as pequenas mudanças. Melhore para si, queira melhorar acima de tudo, busque ajuda.”

Neste Setembro Amarelo, o Country Club Valinhos abre espaço para uma história que reforça a importância de olhar para o outro com atenção, ouvir sem julgamentos e compreender que, muitas vezes, quem mais precisa de ajuda pode não saber como pedi-la.

João Postal é hoje um jovem que segue em frente. Sua história mostra que um período difícil não precisa definir toda uma vida e que, mesmo quando tudo parece cinza, novas etapas podem trazer novas possibilidades.

E, acima de tudo, fica uma mensagem simples e necessária: não é preciso enfrentar tudo sozinho.

Comunicação AAPPCC

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