Conquistar a faixa preta no karatê é, para muitos atletas, o auge de anos de dedicação. Para Yasmin, atleta de Karatê do Country Club, aprovada no exame em dezembro de 2025, o momento simbolizou muito mais do que uma graduação: foi o reconhecimento de uma trajetória iniciada na infância, marcada por desafios de saúde, superação pessoal, apoio familiar e transformação por meio da arte marcial.
Durante o processo do exame, um detalhe simples trouxe à tona uma forte lembrança. Ao preencher a ficha exigida pela Confederação Brasileira de Karate (CBK) e registrar a data de início na modalidade, Yasmin voltou no tempo, à menina de apenas 9 anos que entrou em um dojô sem imaginar o quanto aquele espaço moldaria sua identidade, seus valores e sua relação consigo mesma. A seguir, ela compartilha os principais capítulos dessa jornada.

Depoimento | Yasmin, faixa preta de karatê
“Em dezembro de 2025, ao realizar o exame de faixa preta, precisei preencher uma ficha da CBK com meus dados. Ao escrever a data de ingresso no karatê, percebi que não registrava apenas um número, mas revisitando a Yasmin de 9 anos que entrou em um dojô sem saber quem se tornaria. Desde pequena, enfrentei problemas de saúde como obesidade infantil e colesterol alto. Frequentava médicos e todos recomendavam a prática de esportes.
Foi assim que o karatê entrou na minha vida, em 2011. Tudo era novo: as escadas até o dojô, a etiqueta no tatame, o silêncio antes do cumprimento e a disciplina que eu ainda não compreendia. Ter iniciado ao lado da minha irmã, Giovanna, foi essencial. Ela sempre foi meu apoio e minha maior inspiração dentro e fora do tatame. Minha autoestima nunca foi boa. Eu era diferente das outras crianças: mais alta, mais pesada e com mais limitações físicas.
A Giovanna tinha mais facilidade, o que muitas vezes me frustrava, mas também me impulsionava. Persisti. Crescemos juntas, trocando de faixa lado a lado, aprendendo muito além dos golpes. Houve momentos de dúvida e vontade de desistir, mas minha irmã e meu pai nunca me deixaram parar.

Sem perceber, o karatê já trabalhava em mim valores como disciplina, compromisso, persistência e respeito, além dos benefícios físicos.
Sou profundamente grata ao sensei Edson Cremasco, que sempre nos ensinou muito além da técnica: filosofia, união e equilíbrio. Meus colegas se tornaram minha segunda família.
Como ele sempre diz: ‘Treinar junto, suar junto, aprender junto e celebrar juntos’. Aos 17 anos, em 2019, conquistei a faixa marrom e entendi que o karatê já fazia parte de quem eu era. Naquela época, com 102 quilos, sentia dores, limitações e dificuldades nos treinos.

Foi o karatê que me fez decidir cuidar do meu corpo para alcançar meus objetivos e ser exemplo para os outros alunos. Após a pandemia, retornei aos treinos ainda mais determinada. Quando o sensei disse que eu estava pronta para a faixa preta, duvidei. Com incentivo, passei a acreditar.
Em 2025, assumi novas responsabilidades e ganhei confiança. Hoje, com 1,58 m de altura e 68 quilos, carrego não apenas uma mudança física, mas uma transformação completa de mentalidade, disciplina e amor-próprio construída ao longo dos anos. Aquela menina tímida agora amarrava a faixa preta na cintura.

Mais do que uma graduação, carrego tudo o que o karatê construiu em mim. Essa não é uma linha de chegada, mas o início de uma nova etapa. Sempre haverá mais a aprender — e a celebrar juntos.” – Antes de encerrarmos gostariamos de parabenizar o Sensei Edson Cremasco que rescentemente foi medalha de bronze no campeonato Sulamericano de Karatê com a Seleção Brasileira Master. Com certeza a aluna Yasmin aprendeu muito com os ensinamentos do professor Cremasco.
