Na segunda matéria especial do Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Country Club Valinhos traz o olhar profissional da psicóloga Mariana Risso, da Clínica UNA, com orientações especializadas sobre a identificação de sinais, a importância do diagnóstico precoce e os caminhos para o acompanhamento no desenvolvimento infantil.

O mês de abril é marcado pela conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecido como Abril Azul, um período dedicado a ampliar o acesso à informação, reduzir estigmas e fortalecer a importância do diagnóstico e da intervenção precoce. Dentro desse contexto, a observação atenta da família no dia a dia da criança se torna um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento saudável.
De acordo com a psicóloga Mariana Risso, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) orienta pais e cuidadores a olharem para o comportamento de forma funcional, considerando não apenas o que a criança faz, mas com que frequência, em quais situações e quais são as consequências dessas ações. Esse olhar mais amplo permite identificar padrões que, ao longo do tempo, podem indicar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada.

Entre os comportamentos que podem chamar a atenção estão aspectos relacionados à comunicação, como atraso ou ausência de fala, falta de resposta ao próprio nome e até mesmo a perda de habilidades já adquiridas, considerada um sinal de alerta importante. Na interação social, destacam-se o pouco contato visual, a dificuldade em compartilhar atenção com outras pessoas e a preferência por brincadeiras solitárias. Já no campo comportamental, a rigidez diante de mudanças, a repetição de movimentos ou ações e interesses muito restritos também podem ser observados. Além disso, respostas sensoriais intensas ou reduzidas a estímulos como sons, luzes e texturas podem indicar dificuldades no processamento sensorial.
A especialista ressalta que nenhum desses sinais, de forma isolada, define um diagnóstico. O mais importante é observar o conjunto dos comportamentos, sua frequência e o contexto em que ocorrem. Diante da percepção desses padrões, o primeiro passo recomendado é buscar orientação profissional e, sempre que possível, registrar as situações vivenciadas pela criança. Anotar comportamentos, ambientes e reações contribui para transformar a percepção dos pais em dados concretos, facilitando a avaliação por parte dos especialistas.

Outro ponto destacado é a importância de não adiar a busca por ajuda. Ainda é comum a crença de que determinados comportamentos podem desaparecer com o tempo, mas a ciência do comportamento aponta que a intervenção precoce traz impactos reais e significativos no desenvolvimento. Quanto antes a criança recebe acompanhamento adequado, maiores são as possibilidades de evolução.
O caminho inicial costuma ser o pediatra, profissional que já acompanha o desenvolvimento infantil e pode realizar uma primeira triagem, encaminhando para especialistas como neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. Dentro desse processo, a avaliação não acontece de forma pontual, mas sim como um conjunto de etapas que envolvem entrevista com a família, observação direta da criança em diferentes ambientes, aplicação de instrumentos padronizados e a devolutiva com orientações claras.

Na Ciência ABA, o psicólogo comportamental exerce papel central ao realizar a chamada avaliação funcional, que busca compreender não apenas o comportamento em si, mas também suas causas, antecedentes e consequências. Esse entendimento é essencial para a construção de um plano de intervenção individualizado, respeitando as necessidades e características de cada criança.
O acompanhamento psicológico atua de forma integrada em três frentes: com a criança, desenvolvendo habilidades de comunicação, interação social e autonomia; com a família, orientando e capacitando cuidadores para lidar com as demandas do dia a dia; e com a rede de apoio, promovendo a articulação entre escola e demais profissionais envolvidos. Essa integração é fundamental para garantir que os avanços conquistados no ambiente terapêutico sejam generalizados para outros contextos.

O trabalho interdisciplinar também é apontado como um dos principais caminhos para o desenvolvimento infantil, reunindo diferentes áreas como fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicomotricidade e a própria ABA, cada uma contribuindo de forma específica para ampliar as habilidades da criança e melhorar sua qualidade de vida.
Mais do que um período de conscientização, o Abril Azul reforça a necessidade de ação. Observar, acolher e buscar orientação são atitudes que fazem diferença concreta no desenvolvimento infantil. A identificação precoce, aliada a intervenções bem estruturadas, potencializa resultados e amplia as possibilidades de autonomia e inclusão.

Para a psicóloga, perceber sinais não deve ser encarado como motivo de culpa, mas como um gesto de cuidado. O envolvimento da família, aliado ao suporte profissional adequado, é determinante para a construção de trajetórias mais positivas. Em um cenário onde a informação é uma das principais ferramentas de transformação, agir cedo se consolida como uma das formas mais efetivas de promover desenvolvimento e qualidade de vida.

Para famílias que desejam buscar orientação ou aprofundar o acompanhamento, a psicóloga Mariana Risso atende na Clínica UNA. O contato pode ser realizado pelo telefone (11) 91950-2767.
Comunicação AAPPCC